sábado, 21 de abril de 2018

Banditismo

A comunicação social vem-nos presenteando com reportagens (investigações) sobre
1 – os (pretéritos) casos das adopções ilegais que envolve(ram) membros de uma seita cristã (IURD);
2 – as suspeitas sobre o (s) grandes incêndios rurais em 2017 e o cúmulo de indícios de crime na ‘pira’ de Leiria;
3 – as andanças dos milhões de euros que, saltando de favinho em favinho, chega(ra)m sempre às mesmas colmeias e dos zangãos que se deleit(ar)am com a ‘rainha’;
4 – os milhões de euros surripiados ao erário público pelo grupo GPS que, patrioticamente, se prontificou a adjuvar o Estado no desígnio instrutivo;
5 – as engenhosas compensações CMEC (Custos para a manutenção do equilíbrio contratualurdidas ao mais alto nível da administração pública para compensar a EDP, e as respectivas alvíssaras;
6 – o custo real do exercício ministerial de Manuel Pinho (por enquanto)
[saber-se-á ou não, à frente, a quem correspondem as denominações Pluto, Batman,…];
descartando as já ‘obliteradas’ (da memória colectiva)
7 – mal explicada opção pelos helicópteros Kamov;
8 – mal explicada opção pela rede SIRESP;
9 – rede de malfeitores que levaram o BPN, o Banif,…, à falência
(…)
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Realmente, em sentido literal, “quanto maior a sabedoria, maior o sofrimento; e quanto maior o conhecimento, maior do desgosto.
~ Eclesiastes ~
• ―
Se, porventura, houver quem presuma não estarmos nas mãos de uma miríade de quadrilhas, se não é uma sociedade onde prepondera o banditismo, mudo-me para o «complexo do alemão» ou «cidade de Deus» – ao menos aí, consta, quem é bandido é bandido, e não aspira a ser coisa diferente!

domingo, 15 de abril de 2018

Provas de afeição, deferência,...

Andou o Presidente da República, acolitado pelo primeiro-ministro, de trás para a frente, num alvoroço, a comemorar um dos maiores [se não o maior] crimes cometidos contra os portugueses – a soldadesca que, os ‘democratas’ da Iª República, enviaram a esmo e sem apelo para os matadouros da Flandres.
Não houve palrador de domingo que não os louvasse!
Que o tenham feito não me aquenta nem arrefenta – interessa-me, sim, os sacripantas andarem a dizer-se orgulhosos da heroicidade dos ‘coitados’, celebrando-os, e, simultaneamente, decorra a trasladação dos restos mortais de um cabo do exército português [morto em combate, em 1963, em Angola] custeada com donativos.
No lugar de onde veio este português – Caxito – jazem outros vinte a quem o Estado por omissão e esta gente reles por desinteresse, responde
Aos que ficaram para trás, os felinos e as ratazanas, as doninhas e as aves de rapina, etc…cumpram com esmero a função que a natureza lhes destinou!’

Do que me ‘queixo’? Apenas não ter ouvido ou lido que alguém, podendo, os confrontasse «Como concilia(m) o júbilo, orgulho e a alta consideração propaladas com esta permanente e absoluta inexistência de Estado
... sobre esses [os da comunicação social], salvo raríssimas e honrosas excepções, as minhas expectativas estão pelo ‘salto de formiga’ – negam de graça nas páginas da frente o que defendem nas páginas de trás a troco de dinheiro.

sábado, 14 de abril de 2018

[Da renúncia àquele] Hors d’oeuvre * de intenções


No dealbar do séc. XX, Karl Kraus, escreveu
o último escândalo público que ainda vale a pena desmascarar é a estupidez do público’.
Se se publica algo que ao menos, pela surdina ou não, suscita interrogação nos outros é uma ‘vitória’; o mesmo não sucede se o ‘outro’ se cinge à exclamação – é o que afirmo um século e picos, depois.
Perseverar na drenagem do imenso pântano dos lugares-comuns com raízes no mesmo mal fenomenal – o progresso febril da estupidez humana – é trabalho de Sísifo.
•Pespega-se-lhes com a ‘porcaria’ nos olhos e, no limite, as azémolas clamam que são cegas;
•Esfrega-se-lhes com ‘a pouco menos que trampa’ no nariz e, no limite, as cavalgaduras bradam que perderam o olfacto;
•Rumoreja-se-lhes aos ouvidos que ‘tenham pudor, não alardeiem essa mentirosa alacridade’ e, no limite, os calhaus ciosos da sua natureza, cristalizam.
• ―
O progresso inventou a velocidade. De que serve a velocidade se, pelo caminho, lhes vazaram os cérebros? Ou seja, acelerámos um tráfego universal até à velocidade da luz para cérebros de via reduzida.

Na actualidade, naquele ‘meio’ pejado de ruídos e formas hipnagógicas emulsionadas num unto de sabedoria gnómica ― escorada [poderá ser fundamentada se levar aspas] nas três (?!) primeiras linhas do primeiro parágrafo de uma ‘entrada’ da Wikipedia ou do Google ― isso é muitíssimo mais evidente porquanto permite que qualquer borra-botas, analfabruto, chegue a convencer-se versado em «fenomenologia». Mais a mais, sabemos que
1. compete ao idealismo consolar-se – mesmo que o mundo soçobre – pela perda do antigo com a possibilidade de ficar embasbacado a olhar para alguma ‘coisa nova’ ou fosse patranha que o sentimento de superioridade do ser humano triunfa sempre na expectativa de um espectáculo em que só os contemporâneos são admitidos;
e sabemos também que
2. todos os parasitas mantêm intacto o orgulho de serem pessoas da sua época.
Neste ‘mundo’ – dependendo da perspectiva, claro – de presumida harmonia o espírito foi para o vazadouro e expressa-se no repertório de um galo a cantar. A cultura está sufocada pelas suas realizações – realizações cuja invenção exigiu tanto do ‘espírito’ que sobrou nenhum para as usar. Em suma: qualquer monturo de lixo é um palácio de cristal.
― •
O que escrevi está tolhido por uma contradição insanável. Não está! Estaria se fosse possível incutir medo com o incompreensível a um mundo que suportará o fim desde que não o privem da respectiva exibição.
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Se comecei com Karl Kraus, termino com Karl Kraus
A tragédia da humanidade é que está muito mais mal preparada para a vida na civilização do que uma virgem para uma vida de bordel.


Nota: redigido na ocasião em que decidi deixar de publicar, directamente, no Facebook - Março


* Hors d’oeuvreFacebook. Melhor: redes sociais

domingo, 1 de abril de 2018

Se há razões para ter esperança?!

Claro que há!
― Em primeiro lugar, hoje, é Domingo de Aleluia
― Em segundo lugar porque me esforço em ser tótó, o bastante para descrer da veracidade da notícia sobre a Autoeuropa (ínsita no DN) ou seja, que não passe de brincadeirinha de primeiro de Abril
(de fraco gosto, convenhamos)  
― Em terceiro lugar e dado que a casualidade me proporcionou ouvir o presidente do Sporting Clube de Braga rematar com ‘chave d’ouro’, meia-dúzia de banalidades debitadas aos microfones da comunicação social, citando Bernard 'Show'
(será o George Shaw que escreveu Pigmalião?)
Ora, tudo isto significa que pode não ser tolice almejar, um dia, ouvir Jorge Jesus, por exemplo, citar, sei lá… algo do ensimesmado srº. engº. Ulrich d´«O Homem sem Qualidades» de Robert Musil ou d’«O Lobo das Estepes» de Hermann Hess
(… e não quaisquer outros porque, acho, são os que melhor se lhe colam à pele. E não ‘convoco’ critérios e juízos de Séneca a Lucílio porque é exigir muito – nem oito nem oitenta, puxa! – … ademais nem eu sou produto das ‘humanidades’, perdão, «humanísticas»)
―•―
A web permite-nos estes ‘proveitos’ e depois, ingratos, lamentamos… Choramingamos a ferramenta!
―•―
A cultura agora só funciona ao nível do fragmento
Somos um povo de analfabetos. Destes há alguns que não sabem ler e outros que sabem
Ah, Vergílio Ferreira, como vês, enganaste-te.

sexta-feira, 23 de março de 2018

A haliêutica regimental

“Entram velhas doidas; entram excursões, benefícios e cronistas/entram aldrabões, marialvas e galifões; entra a aficionada e a caduca mais o snobismo; entram empresários moralistas; entram frustrações, antiquários, fadistas e contradições.

Soam brados e olés dos nabos. E diz o inteligente
«Ninguém nos leva ao engano. Vamos pegar o mundo pelos cornos da desgraça e fazermos da tristeza, graça.»”


in saecula saeculorum