quarta-feira, 31 de maio de 2017

Anotações (6)

[nas bordas das páginas]


A solicitude é o ‘elixir’ dos tolinhos.

• Em 31 de agosto de 1939 [dia anterior à invasão da Polónia pela Alemanha], William L. Shirer [correspondente de guerra americano em Berlim], anotou no seu ‘diário’, o seguinte: “Todos são contra a guerra; as pessoas dizem-no abertamente. Como pode um país com uma população tão contrária à guerra, entrar numa guerra?” 

• Os alvitreiros da nossa praça obliteram – em seu proveito, primeiro e benefício da sua ‘religião’, ‘doutrina’ ou ‘ideia’, depois – a ‘resposta’ de Alexandre a uma cidade que se comprometeu em doar-lhe parte dos seus campos e metade dos seus bens – “Eu não ando a percorrer a Ásia com a intenção de aceitar o que vós estiverdes dispostos a dar-me; vós é que só tereis o que eu vos deixar.” 

• Aleksandr Solzhenitsyn experienciou, como poucos, a magnanimidade e a grandeza de alma dos cabouqueiros do ‘homem novo’ – foi um escarmentado; disso nos advertiu – devo designá-lo oblata
“O mundo civilizado perante o ressurgimento da barbárie, tímido, nada encontra que se oponha aos sistemáticos massacres além de concessões e sorrisos.” 

Enfim… são degolados pela estupidez; nunca pela ‘inocência’.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Anotações (5)

[nas bordas das páginas]

        • A “clemência” da incoerência

Podemos clamar por misericórdia. Roga por brandura o vulgar pilha-galinhas, faz apelo à benignidade o maior dos crápulas, e invoca compaixão o mais hediondo dos criminosos. No limite, e conforme profere o vulgacho, “todos merecemos uma segunda oportunidade”. Para isso não há condicionalidade – “Quem não berra, não mama”.
Mas, assim sendo, com que direito (re)clamamos por justiça?

Há mais humanidade na depravação do que no rigor.

Anotações (4)

[nas bordas das páginas]

• A “inclemência” da coerência

Ser algo sem condições é uma insensatez.
O homem quando não se liberta do despotismo das ‘convicções’ [como se com isso não gerasse um outro ‘corpo de convicções’], perde-se. Começa a aceitar tudo, a envolver na sua tolerância os abusos, os crimes e as monstruosidades, os vícios e as aberrações. Pelas mais diversas razões, e porque para todas as “anomalias” se encontram pretextos, tudo passa a ter o mesmo valor. O longo e dúctil braço da indulgência estende-se ao conjunto, e envolve culpados, vítimas e carrascos. A piedade dirige-se à existência por inteiro e a caridade subsiste mais pela dúvida do que pelo amor.
O homem livre das ‘grilhetas da convicção’ amalgama as “coisas” e molda-se aos objectos e aos seres, indiferentemente. É uma consequência do ‘conhecimento’ – não é da sabedoria.

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Das apreciações e juízos baseados nesse ‘conhecimento’ aventou – e bem! – August Strindberg: “O juízo crítico, perante os padrões e os saberes do momento, mesmo que justo é tão ocioso como decifrar animais nas nuvens”.
É o que me basta.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Anotações (3)

[nas bordas das páginas]


Em palanques, trapaceiros, cavilosos, fura-vidas e patifes da mais variada índole; no pavimento um emaranhado de onde é difícil desensarilhar a caterva de manhosos das pandilhas de sonsarrões que julgam que, “funcionar” à sorrelfa como se não tivesse havido ontem e não houvesse amanhã, é a quintessência da inteligência.

A lama é mais agradável do que o sangue.

Se aos primeiros dada a sua idiossincrasia nada há a dizer; aos segundos dado o seu presumido aprimoramento o que há para ser dito é nada. Mais a mais se o que há para dizer, está dito e repisado. Ora, avisado é “borregar” o poiso. Ou estribarmo-nos o melhor que soubermos e conseguirmos, e bater em desfilada!

Não há, sequer, proveito algum em respigar Victor Hugo por ter ‘avisado’ que “Não basta que se ocupem com ‘a iluminação das cidades’ porque” — E perguntou: “Quem se ocupará de acender os archotes para as mentes?” — “a noite também cai sobre o mundo.

Há mais suavidade no vício do que na virtude.

Anotações (2)

[nas bordas das páginas]

“O Corão não é apenas um compêndio de princípios morais: é a constituição do Estado criado por Maomé”
Andrew Mango in (biografia de) M. K. Atatürk
Esta cabrada faz que não lê, não vê, não ouve; não quer saber, simplesmente. Esta cabrada só “arregala a pestana” – e nem sempre! – quando [tarde, claro] estão tosquiados ou compelidos a uma cominação ou se a(s) consequência(s) funciona(m) nele(s) de forma análoga à do cilício nas penitências medievais – quando lhes dói, mesmo; muito! Até lá…
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“Quando alguém percebe que o inimigo é mais fraco, fica-lhe com raiva; quando percebe que o inimigo é mais forte, fica-lhe com medo.”
Pouco ou nada mudou de S. Tomás de Aquino para cá.
Nota-se bem!